Bom dia.
Agora são quatro e quinze da manhã e, eu sei, isso não é hora de estar escrevendo. Eu deveria ter feito isso mais cedo, mas acabou não dando certo, porque hoje (ontem (hoje porque não dormi ainda)) eu passei o dia praticamente TODO na cama. Fui pra escola, voltei um pouco mais cedo, esperei pelo almoço, deitei-me e esperei pelo sono. Quando este chegou, acompanhou-me até as nove ou dez da noite. Passei quase dez horas deitado e só levantei porque precisava mijar e porque meu estômago estava lá nas costas. (escrevi "mijar" e o Word sublinhou em verde. A explicação da gramática foi "'mijar' pode ser considerado um caso de plebeísmo. Evite o uso de gírias ou palavras de baixo calão em seu texto"). Precisava ter ido à biblioteca fazer trabalhos (tenho uns quatro ou cinco trabalhos pra entregar essa semana e não coloquei a mão em nenhum deles. Um é pra amanhã (hoje, quando eu for pra aula), o outro é pra quinta, outro pra sexta e um pra terça-feira. Todos trabalhos grandes e, literalmente, trabalhosos, mas que estou com uma preguiça absurda de fazer. Gente, já é praticamente dezembro. Tem gente que já está de férias e eu aqui sofrendo por causa disso? Me respeite.
Enfim, não é sobre isso que quero falar. Quero falar sobre a aula da saudade que teve hoje (ontem, quarta). Olha, foi uma coisa interessante, que merece ressalva em alguns tópicos.
Não sei se essa é uma prática comum em todas as escolas, mas comigo já aconteceu duas vezes: uma na oitava e essa do terceiro ano. É uma aula onde os professores basicamente reúnem um monte de fotos num vídeo, intercalam com algumas frases de efeito, outras mensagens de despedidas, ao som de Canção da América e blues fodidos do tipo Hero, I Will Always Love You e outras canções a lá Amigos para Sempre. Ou seja: gente chorando pra todos os lados. Para completar, colocaram o Welson, meu professor ahazo de Biologia, para discursar e fazer considerações sobre esses três anos que passamos (nós alunos) juntos. As turmas permaneceram mais ou menos as mesmas durante eles.
Essa aula aconteceu no anfiteatro do Frei Eugênio, minha antiga escola, onde passei nove anos da minha vida. Está tudo muito mudado por lá. Escola municipal é outra história. Ah, também revi a Cássia Custódio, que foi a melhor professora que eu já tive EVER. Pena não ter dado pra ir até ela falar um oi. Também notei que os alunos de lá estão mais feios do que quando eram no meu tempo. As carteiras estão trocadas, a quadra foi coberta decentemente, os professores são outros... Senti alguma nostalgia quando entrei lá.
Aí tá, fomos ao anfiteatro e lá começou a tal da aula. O Welson começou a falar, contou algumas histórias, fez algumas considerações e, durante o discurso todo, destacou alguns alunos. Eu fui um deles – glória três vezes por eu estar sentado numa das primeiras fileiras e pouca gente ter visto / pouca gente ter sabido que ele estava se referindo a mim. Ele só me olhou e perguntou: "Você não teve algumas surpresas depois daquele dia?". "É, algumas...". "Pois é, depois daquela aula, uma pessoa veio me dizer: 'Nossa, professor, eu nunca pensei que ele pudesse ser tão legal...". Fiz noffa/
Parêntese: uma vez, em meados desse ano, houve uma "aula diferente" à minha sala, porque ele colocou na sala que minha turma não sabia conviver bem com as diferenças e que havia muito desrespeito entre nós e que somos muito segregados (há seis grupos na sala: as meninas do canto direito, as nerds do canto esquerdo, os nerdes do centro-leste, os studs do fundo, o núcleo (do qual eu faço parte) e os vagabundos do centro-oeste) e que isso não era nada bom, que precisávamos acabar com essas diferentes, principalmente no que dizia respeito à questão sexual, que é muito presente e discutida na sala, em função minha e de outras duas pessoas. Esse assunto acerca da sexualidade está presente nas aulas desse professor desde os primeiros dias, por isso ele decidiu fazer esse "dia da conscientização". E funcionou. Comentarei a seguir.
Nessa aula, cinco momentos de uma mesma situação me chamaram a atenção.
Quase ao final da tal aula, o Welson, que também já tava quase virando água, depois de ter falado a lot , contado histórias a lot e ter cantado uma música que eu desconheço (ele canta), disse: "Agora eu vou lançar um desafio". Todo mundo parou pra prestar atenção. "Eu quero que você se levante e procure alguém que, durante esses três anos, você sempre teve vontade de abraçar, mas nunca teve coragem ou oportunidade. Vai".
Eu não sou uma pessoa muito carinhosa, confesso, mas todo mundo, pelo menos as pessoas do meu convívio, eu já abracei pelo menos uma vez. Acho que existem formas menores, mais oportunas e mais fáceis de demonstrar carinho do que dando um abraço. Mas que fique claro que eu não sou uma pessoa arredia.
– Como os demais, levantei-me. No momento não me ocorreu alguém pra abraçar, porque, como eu disse, já tinha abraçado todas as pessoas que estão mais próximas a mim. A menina que estava sentada ao meu lado, com quem estudei durante um ano, me abraçou. Pensei "Pronto, já abracei. Posso me sentar novamente?". Então, do além, surge o Arthur. A quem não sabe, eu e o Arthur temos uma saga de amor e ódio que renderia uma novela mexicana teen. Aí a gente se abraçou, dei um beijo no rosto dele e disse "Só faltou pentear o cabelo". Ele não tem esse costume. O que achei interessante nesse ocorrido foi que acho que só nos abraçamos umas três ou quatro vezes desde que nos conhecemos, na oitava série, e ele sempre foi uma pessoa cheia de "não me toque"s, especialmente comigo.
– Logo em seguida, quando eu estava virado procurando por alguma outra pessoa a quem eu pudesse abraçar, alguém me puxou pela camisa, chamando minha atenção. Quando olhei, era o Luiz Guilherme. Ele é uma pessoa por quem eu sempre tive simpatia gratuita; aquele tipo de pessoa que você nem conhece, mas vai com a cara. A gente começou a se falar malemá há pouco tempo, em virtude da organização das festas de final de ano, mas nunca passou disso. Aí ele veio e me abraçou. Pensei em falar alguma coisa, mas nesse tipo de situação não se tem muito que dizer. Então sorri e só.
– Depois disso, abracei algumas pessoas indiferentes, por honra da firma, e me sentei. Mais discursos, mais fotos, mais essas coisinhas emocionantes e fim. Como ele havia interrompido nosso momento abraçação, ao término da aula, continuamos de onde paramos ao som de Pescador de Ilusões. Aí a gente tava liberado pra abraçar quem quisesse, como numa verdadeira despedida. Abracei a zamiga, que estavam do meu lado, e segui por entre as cadeiras. Vindo em minha direção estava o Lucas, que faz parte dos studs do fundão. Com os olhos lacrimejantes, ele me abraçou e disse: "Fui eu que disse aquilo que o Welson te falou". E eu: "Juuuuuuuuuure? (-n) Eu suspeitei, mas achei que tivesse sido outra pessoa". Ficamos nesse momento invólucro por alguns segundos e ele disse: "Cê não sabe o quanto eu esperei por esse abraço". Eu já tinha o abraçado antes, mas não daquela forma. E, olha, caso você que está lendo nunca tenha ouvido isso de alguém, ouça, que faz muito bem à auto-estima.
– Após abraçar todos os studs (são cinco) do fundo da sala, dei de cara, mas sabe aquele encontrão mesmo?, com o Mateus. Eu olhei pra cara, ele pra minha, desviamos o olhar, seguimos andando e nada aconteceu. Então aprendemos uma lição: AMIGOS são pra sempre, mas "amigos" são passageiros.
– Por fim, entrei na fila pra abraçar o Welson. E a fila tava grande. O abraço mais concorrido daquele anfiteatro eram o dele e o da Sílvia (coordenadora). Abraçamo-nos por um longo tempo, depois, com as mãos nas minhas têmporas, ele me agradeceu (não me lembro as palavras exatas). Disse que eu fui uma verdadeira inspiração para ele, que eu e ele, através de mim, pudemos ensinar o que é respeitar e se respeitar e aprender a conviver com as diferenças, sejam elas quais forem.
E foi isso. Não chorei (preciso me tornar uma pessoa menos insensível), mas foi bastante emocionante. Emocionante naquele momento, lógico, porque tirando uns gatos pingados, não vou sentir saudade daquele povo feio de jeeeeito nenhum. Aliás, não vejo a hora de acabarem logo esses trabalhos pra eu ficar quietinho aqui em casa e me livrar desse Minas. Aí sim vai ser vitória do povo de Deus.
Falando nisso, chega de escrever. Preciso fazer o trabalho de Biologia, que é pra quinta feira. 1bgs
1 comentários:
Naytan, me emocionei bastante também :) Que coisa, como o tempo passa, vc já concluiu o ensino médio =O acho que quando te conheci vc ainda tava na oitava série...
Boa sorte, querido! Vc é uma pessoa extremamente talentosa e terá muitas coisas boas nessa vida só basta fazer as escolhas certas :)
Torço mt por ti, beijos!
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